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VIII CONPEP (“Estar no Mundo: A internet e seus caminhos; As relações afetivas em nossos dias”)
 
Autoridades presentes; convidados; Srs. Pais, Professores e Funcionários das Escolas Pestalozzi:


Hoje vemos com naturalidade crianças com pouco mais de quatro anos batendo fotos ou usando os telefones celulares de seus pais, jogando no computador, e etc..

Essas crianças fazem parte da chamada “Geração Z”, adepta da “Cultura Virtual”, que lida com computadores de última geração, telefones com câmera e TV, pen drive de capacidade enorme de armazenamento, jogos eletrônicos de conexão à TV, etc. Uma geração que vive em uma época de grande fascínio, provocado pelo mundo mágico da tecnologia que, a cada minuto, tem novos avanços.

Assustam adultos de mais de trinta anos que sentem algum desconforto frente ao computador, a botões e máquinas eletrônicas sofisticadas. Tudo isto leva os pais a se considerarem ultrapassados, endeusando os filhos ou considerando-os verdadeiros gênios.

A cultura digital tem crescido de forma desenfreada nos últimos 40 anos, e acaba causando alguns problemas para as gerações que dela surgem.

Um dos principais é a aprendizagem nas escolas, pois os jovens e adultos, após o início da era digital, passaram a ter mais rapidez de pensamento, mas, por outro lado, desenvolveram uma incapacidade para a linearidade. Esse evento veio contribuir para facilitar muito, em determinadas áreas; porém, em outras que exigem mais seriedade e concentração, acabou colaborando para o surgimento de algumas dificuldades. A leitura em profundidade foi substituída pela massa de informações, em sua maioria superficial.

A memória por sua vez perdeu importância. A internet se tornou a memória externa. Passou-se a ler rapidamente, sem análise, nem crítica. Como conseqüência o cérebro começou a ter dificuldades na hora de ler com concentração.

A maior parte das comunicações destas crianças (Geração Z), se faz por meio virtual e elas revelam muito pouca comunicação verbal e habilidades de convívio, o que acaba prejudicando as relações familiares e sociais.

Não devemos pensar que a cultura virtual refere-se apenas a computadores. A televisão por exemplo tem sua participação: alguns estudos mostram que a criança se relaciona com a TV como se relaciona com os demais em sua casa.

Os danos provocados às crianças por alguns destes mesmos avanços são inúmeros: influência de marketing e consumismo; erotização precoce; inversão de valores e falsa sensação de igualdade social, bem como pela Internet acesso a cenas de sexo, casos de pedofilia, imagens obscenas,etc..

Bill Gates (maior fortuna pessoal do mundo, sócio fundador da Microsoft, que construiu o primeiro computador) sabiamente disse: "Meus filhos terão computadores sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história”. A internet estimula certos modelos de pensar e desestimula outros. O pensamento focado, concentrado é algo que ela claramente desencoraja. O conhecimento fica mais amplo, mas mais superficial.

É fundamental exercer vigilância sobre nossas crianças e adolescentes, com relação ao uso que fazem dos novos recursos tecnológicos e novas formas de comunicação. Tomando os devidos cuidados com as influências negativas, nossos filhos, inseridos nessa nova geração, passam a lidar com diversas situações com muito mais agilidade e compreensão.

Por mais que ajam com certa autonomia, as crianças de hoje, como as de ontem, têm necessidade dos adultos para lhes dizer o que fazer e o que não fazer.

Precisam de disciplina, E disciplina se faz com limites. É um erro tratar as crianças simplesmente como cérebros ansiosos por mais e mais conhecimentos.

Elas necessitam de experiências afetivas, motivo pelo qual não podem dispensar as brincadeiras com outras crianças, necessitam dos conflitos com seus amiguinhos, para aprenderem a se relacionar com pessoas e coisas.

O desenvolvimento emocional deve vir antes do intelectual. Proceder de forma contrária, pode causar problemas como o desinteresse pelos estudos, com o passar dos anos.

As crianças de hoje não amadurecem emocionalmente mais rápido do que as de antigamente.

O mundo necessita de homens capazes de amar, de respeitar o semelhante, de reconhecer as diferenças, de pensar, muito mais do que gênios sem moral, frios e calculistas.

Pesquisa relativamente recente, efetuada em um país em que não faltam escolas, desde as infantis até as de nível superior e, onde a imprensa diversificada atingiu o máximo de penetração, revelou que cabe a família nada menos que ¾ de influência na formação da personalidade de seus cidadãos. Daí a necessidade de conscientização da enorme responsabilidade que como pais, nos cabe.

Exemplos vivos: (Cassia Kiss Magro e Walter Casagrande Júnior, no programa Arquivo Confidencial do Domingão do Faustão.)

Se alguém perguntasse a cada pai ou a cada mãe, para que é que estão educando os seus filhos, não temos dúvida que a resposta unânime seria esta: “Para que se tornem bem ajustados na sociedade e sejam felizes”. Se, perguntássemos então, o que têm feito para atingir esse objetivo, as respostas não seriam tão uniformes, porque nem todos têm uma noção exata de como agir para educar os filhos; todos querem o melhor para seus filhos, mas poucos se interessam por conhecer as melhores técnicas de relacionamento com eles e, pouquíssimos conhecendo-as, perseveram na sua aplicação.

O psicanalista francês Charles Melman (íntimo colaborador de Jacques Lacan, principal herdeiro de Sigmund Freud na França), em uma entrevista concedida à revista Veja, de 23 de abril último nos faz algumas colocações preocupantes. Diz ele: “Pela primeira vez na história, a instituição familiar está desaparecendo, e as conseqüências são imprevisíveis. Nesse processo, podemos constatar que o papel de autoridade do pai foi definitivamente demolido.Com o declínio da figura paterna, nossos jovens podem estar menos propensos a batalhar pelo sucesso, a estabelecer um ideal de vida e até descobrir o gosto pelo sexo. Muitos jovens hoje, procuram o tratamento psicanático, por não saberem o que desejar. Isso acontece porque nossos jovens foram criados em condições que promovem a busca rápida do prazer máximo e sem obrigações. O problema é que essa forma de lidar com o desejo produz situações de dificuldade para os jovens. Isso os leva ao divã”.

Vivemos uma era de luxo sem precedentes, onde todas as nossas necessidades são satisfeitas imediatamente, onde temos comida em excesso, onde muitas crianças dispõem de mesadas maiores que sua família inteira poderia gastar, na geração anterior.

Temos a sensação de que esta é uma situação muito admirável. Mas talvez tenhamos de dar uma observada mais atenta na nossa complacência.

Uma das experiências muito recente, executada por um ornitólogo austríaco (estudioso da vida das aves), aponta para esse perigo. O professor Otto Koenig, de Viena, reuniu um grupo de garças, alojando-as num cercado muito amplo, onde pudesse observá-las. Ele permitiu às garças total liberdade e conforto, com apenas um movimento, podiam ter acesso a todo alimento que poderiam precisar. Havia água bastante para beber e tomar banho, e uma quantidade inesgotável de materiais para construir ninhos. As garças tinham tudo que precisavam, uma existência de lazer quase completo.

Em condições normais, essas aves desenvolvem uma sociedade que se assemelha à nossa, sob vários aspectos, inclusive com fortes sentimentos de responsabilidade familiar. Mas quando foram submetidas a uma vida de total facilidade, quase todos os padrões de existência familiar e grupal foram interrompidos. O cuidado com os filhotes era administrado a esmo; às vezes, ovos eram tirados do ninho e quebrados. Normalmente, garças jovens exibem sua independência extraordinária, mas quando eram criadas em meio ao luxo e, sem ter de lutar por nada, vivendo no mais completo lazer, aprendiam muito pouco sobre a luta pela sobrevivência. Garças adultas ainda eram alimentadas como filhotes, pelos pais e até mesmo pelas avós. Com freqüência filhotes atacavam pássaros jovens até à morte, exercendo uma forma de canibalismo desconhecida em condições normais.

Quando observamos os muitos problemas que afetam nossa juventude - a sua insegurança, a sua falta de independência, a taxa alarmante de delinqüência juvenil, o vício das drogas e da libertinagem sexual - e quando nos perguntamos o que fizemos de errado, é provável que possamos encontrar respostas nas experiências do Prof. Otto Koenig.

A facilidade oferecida ao filho pelos pais deseduca, desvaloriza o que lhe é ofertado, facultando ao filho crescer com a idéia de que tudo que ambiciona lhe deve ser dado, com isto perdendo a noção do valor das coisas.

Neste momento realça-se o egoísmo vigente no íntimo do filho.

A vida é uma escola onde se aprende justamente a viver, e viver, em sua realidade, é lutar pela obtenção do que se almeja, usando do equilíbrio e bom senso em tudo.

É a liberdade com responsabilidade a forma mais eficiente de se educar, competindo aos pais, aprender a dizer não, não fazendo o que compete aos filhos.

A palavra chave é responsabilidade por tudo o que se faz.

Os pais desejam educar da melhor forma os seus filhos. No entanto, não basta desejar, é necessário que se crie condições reais para que isso aconteça. Isto é, o tempo e o espaço da convivência familiar deve estar plenamente preenchido com este objetivo. É no espaço de convivência familiar que vai se forjar a citada “socialização primária”, com seus valores, regras e necessária carga afetiva, muito importante para a capacidade de aprendizado das crianças.

Diante do tempo sempre escasso para uma vida familiar atualmente, a qualidade do tempo que dedicamos aos nossos filhos é que poderá marcá-los definitivamente.

O amor materno e a autoridade paterna são dois elementos essenciais ao bom equilíbrio das relações familiares.O que o filho mais espera e precisa da mãe é  o amor; do pai, a autoridade.

Deixe a criança de sentir acima dela a proteção da autoridade paterna, o seu equilíbrio emocional será afetado, com prejuízo, inclusive, para a sua maturidade.

A criança detesta, quase sempre, aqueles que a tiranizam, pois gosta de ser tratada com moderação e justiça; mas, por outro lado, despreza ou agride o pai frouxo e piegas cuja incapacidade a priva de um apoio que deseja e lhe é indispensável.

Sim, a par da liberdade, sem a qual não poderia auto-afirmar-se, a criança necessita, também, da autoridade para que seja orientada nos seus julgamentos e saiba disciplinar a própria vontade.

É esta autoridade legítima que faz com que o pai ajude o filho a crescer e amadurecer, para que chegue à autonomia, sabendo que a liberdade tem um preço: a responsabilidade, É a maneira pela qual o pai conduz o filho à auto-realização, desenvolvendo-lhe as potencialidades, sem entretanto, exigir mais do que ele possa dar, respeitando-lhe as limitações.

É, sobretudo a força moral que o pai deve ter sobre o filho, baseada na admiração que lhe desperta, por se constituir um modelo digno de ser imitado. É uma decorrência das qualidades paternas, entre as quais se destacam as seguintes.

01 - Ser autêntico;
02 - Ser justo, tratando todos os filhos com igual solicitude;
03 - Ser um educador, corrigindo quando preciso, mas sabendo desculpar, valorizar e incentivar;
04 - Ser coerente, mantendo o seu ponto de vista acerca do que lhe pareça certo ou errado;
05 -  Ser cordial, promovendo o afeto, estima e camaradagem entre os familiares;
06 - Ser compreensivo;
07 - Ser clarividente, sabendo discernir entre o que é essencial e o que é secundário;
08 - Ser conciliador;
09 - Ter presença no lar, acompanhando de perto a vida dos filhos;
10 - Ter serenidade, evitando dar mostras de impaciência, irritação ou cólera;
11 - Ter firmeza, dando sim quando julgue que possa dá-lo, tendo a coragem de dizer e manter o não, sempre que isso se faça necessário;
12 - Ter espírito aberto, procurando sempre estar bem informado, para saber usar construtivamente os acontecimentos do mundo;
13 - Ter estabilidade emocional;
14 - Ter maturidade, aceitando as responsabilidades decorrentes de sua condição de chefe de família, especialmente as de pai;
15 - Ter prestígio, por seus exemplos de amor ao trabalho, hábitos sadios, civismo, gosto de ser útil ao próximo, etc..

A par de procurar agir sempre com a maior correção a fim de manter o indispensável prestígio junto aos filhos, confessar-lhes, nas ocasiões oportunas, que não possuem a perfeição absoluta, que também estão sujeitos a descontroles emocionais, a cometerem enganos e pequenas injustiças.

Isto é salutar, pois deixa claro aos filhos que os pais também são “humanos” e não deuses infalíveis, preservando-os de possíveis traumas face a decepções muito graves, além de libertando-os de qualquer sentimento de culpa, animando-os a igualarem-se a eles, senão ultrapassá-los, eis que assim progride a humanidade.

Aqueles que acham que filho é tormento e chateação, mais uma carga que uma felicidade, não deveriam constituir família. Pois quem tem filho é, sim, gravemente responsável.

Paternidade é função para a qual não há férias, 13º., aposentadoria. Não é cargo para um fiscal tirano nem para um amiguinho a mais: é para ser pai, é para ser mãe.

É preciso ser amorosamente atento, amorosamente envolvido, amorosamente interessado. Difícil, muito difícil, pois os tempos trabalham contra isso.

Colocar a família em primeiro lugar não é uma proposição tão óbvia, trivial, nem tão aceita por aí. Basta entrar na internet e você encontrará milhares de artigos que dirão para colocar em primeiro lugar os outros – a sociedade, os amigos, o dever, o trabalho, o cliente, raramente a família.

Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem arcar. O consolo é lembrar um velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena:”Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar”.

Oxalá, nossos filhos possam também se orgulhar de nós, tanto quanto nós nos orgulhamos de nossos pais, fisicamente presentes, ou não.

Para isso possamos dizer com humildade (humildificador, como  bem disse Cássia Kiss), pois esta é uma matéria onde não existem mestres, somos sempre eternos aprendizes:


“Ajuda-me, Senhor, na missão de pai,
porque é difícil e pesado o encargo de sustentar a família e
dar-lhe o bem estar e a tranqüilidade; e é quase heroísmo ser
alegre com os familiares quando pesam as preocupações
pessoais e os problemas da profissão.

Ajuda-me, Senhor, na missão de pai,
para que eu realize o diálogo com minha esposa e os filhos.
Que eu seja aberto para ouvir, humilde para propor, sábio para
decidir e co-responsável para realizar.

Ajuda-me, Senhor, na missão de pai,
para que eu saiba descobrir os valores de minha esposa e os
talentos de meus filhos; e os ajude a desenvolvê-los. Saiba
corrigir com amor, sem destruir nem humilhar.

Ajuda-me, Senhor, na missão de pai,
para que eu defenda a dignidade do meu lar contra a
imoralidade atrevida e a permissividade tentadora, vivendo o
amor com fidelidade e construindo a união que faz o lar feliz.

Ajuda-me, Senhor, na missão de pai,
para que eu possa ser sempre um testemunho de fé em Deus,
coragem nas dificuldades, paciência nas provações e esperança
na dor; e pelo apostolado familiar, ajude outras famílias a
serem mais felizes.

Ajuda-me, Senhor, na missão de pai,
para que eu saiba dar valor à experiência sem me prender ao
passado, saiba ser moderno e atualizado sem ser superficial e
vazio; e conserve bem viva, a vontade firme de acertar.

Finalmente ajuda-me, Senhor na missão de pai, para que eu
creia firmemente que a grandeza da paternidade, assim vivida,
não termina nem mesmo com a morte, porque os seus frutos são eternos.”


   
 
 
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