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Pestalozzi - 7º CONPEP  (5/31/2009)
Abertura do 7º CONPEP - Dr. Cleber Rebêlo Novelino

Nosso agradecimento pela presença. Sejam todos, benvindos. Com o objetivo de entrarmos em clima propício a este congresso, gostaria de compartilhar com todos, algumas reflexões: “Esses são tempos de refeições rápidas e digestão lenta; de homens altos e caráter baixo; de lucros expressivos, mas relacionamentos rasos.” “Esses são tempos em que se almeja a paz mundial, mas perdura a guerra nos lares; temos mais lazer, mas menos diversão; maior variedade de tipos de comida, mas menos nutrição.” “Temos casas maiores e famílias menores; mais medicina , mas menos saúde. Temos maiores rendimentos, mas menos padrão moral”   Pesquisa relativamente recente, efetuada em um país em que não faltam escolas, desde as infantis até às de nível superior e, onde a imprensa diversificada atingiu o máximo de penetração, revelou que cabe à família nada menos que três quartos de influência na formação da personalidade de seus cidadãos. Daí a necessidade de conscientização da enorme responsabilidade que nos cabe como pais.   Se alguém perguntasse a cada pai ou a cada mãe, para que é que estão educando os seus filhos, não temos dúvida que a resposta quase unânime seria esta: “Para que se tornem bem ajustados na sociedade e sejam felizes.”. Se, perguntássemos então, o que têm feito para atingir esse objetivo, as respostas não seriam tão uniformes, porque nem todos têm uma noção exata de como agir para educar os filhos; todos querem o melhor para seus filhos, mas poucos se interessam por conhecer as melhores técnicas de relacionamento com eles e, pouquíssimos conhecendo-as, perseveram em sua aplicação. O psicanalista francês Charles Melman ( íntimo colaborador de Jacques Lacan, principal herdeiro de Sigmund Freud na França), em uma entrevista concedida á Revista Veja, a cerca de um ano, faz ali algumas colocações preocupantes. Diz ele:”Pela primeira vez na história, a instituição familiar está desaparecendo e as conseqüências são imprevisíveis. Nesse processo, podemos constatar que o papel da autoridade do pai foi definitivamente abolido. Com o declínio da figura paterna, nossos jovens podem estar menos propensos a trabalhar pelo sucesso, a estabelecer um ideal de vida e até descobrir o gosto pelo sexo. Muitos jovens hoje, procuram o tratamento psicanalítico, por não saberem o que desejar. Isso acontece porque nossos jovens foram criados em condições que promovem a busca rápida do prazer máximo e sem obrigações. O problema é que essa forma de lidar com o desejo produz situações de dificuldades para os jovens. Isto os leva ao divã.” A facilidade oferecida ao filho pelos pais deseduca, desvaloriza o que lhe é ofertado, facultando ao filho crescer com a idéia de que tudo que ambiciona lhe deve ser dado, com isto perdendo a noção do valor das coisas. Neste momento realça-se o egoísmo vigente no íntimo do filho Com o intuito apenas de exemplificar, sem crítica direta a ninguém, relembramos um exemplo que relatamos há quatro anos no quinto congresso de pais e, que infelizmente pouco mudou. Todo ano nos chama a atenção na Unidade I das Escolas Pestalozzi, a quantidade e a qualidade de materiais esquecidos pelos alunos na escola, materiais estes que são guardados por um ano, aguardando os prováveis reclamantes. Muitos jamais os procuram. Trata-se de agasalhos os mais diversos, relógios, aparelhos ortodônticos rádios, celulares, óculos, calculadoras, etc...Uma demonstração de um total descaso com a guarda e valorização do próprio material ( dos alunos e dos familiares que não os cobram). A vida é uma escola onde se aprende justamente a viver e, viver, em sua realidade, é lutar pela obtenção do que se almeja, usando do equilíbrio e bom senso em tudo. É a liberdade com responsabilidade a forma mais eficiente de se educar, competindo aos pais, aprender também a dizer não, não realizando o que compete ao filho realizar. A palavra chave é responsabilidade em tudo o que se faz. Os pais desejam educar da melhor forma os seus filhos. No entanto, não basta desejar, é necessário que se crie condições reais para que isto aconteça. Isto é, o tempo e o espaço da convivência familiar deve estar plenamente preenchido com este objetivo. É no espaço de convivência familiar que vai se forjar a chamada “socialização primária”, com seus valores, regras e necessária carga afetiva, muito importante para a capacidade de aprendizagem das crianças. Diante do tempo sempre escasso para uma vida familiar atualmente, a qualidade do tempo que dedicamos a nossos filhos é que poderá marcá-los definitivamente. O amor materno e a autoridade paterna são dois elementos essenciais ao bom equilíbrio das relações familiares. O que o filho mais espera e precisa da mãe é o amor; do pai, a autoridade. Deixe a criança de sentir acima dela a proteção da autoridade paterna, o seu equilíbrio emocional será afetado, com prejuízo, inclusive, para a sua maturidade. A criança detesta quase sempre, aqueles que a tiranizam, pois gosta de ser tratada com moderação e justiça; mas, por outro lado, despreza ou agride o pai frouxo e piegas cuja incapacidade a priva de um apoio que deseja e que lhe é indispensável. A par da liberdade, sem a qual não poderia auto afirmar-se, a criança necessita também, da autoridade para que seja orientada nos seus julgamentos e saiba disciplinar a sua própria vontade. É sobretudo força moral que o pai deve ter sobre o filho, baseada na admiração que lhe desperta, por se constituir um modelo digno de ser imitado. É preciso ser amorosamente atento, amorosamente envolvido, amorosamente interessado. Difícil, muito difícil, pois os tempos trabalham contra isso. Colocar a família em primeiro lugar não é uma proposta tão óbvia, trivial, nem tão aceita por ai. Basta entrar na internet e você encontrará milhares de artigos que dirão para colocar em primeiro lugar os outros – a sociedade, os amigos, o dever, o trabalho, o cliente, raramente a família. Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem arcar. O consolo é lembrar um  velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena:”Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar”. Podemos perceber como é cada vez mais necessário a conjugação de esforços entre todos aqueles que direta ou indiretamente participam do processo educativo dos nossos filhos e alunos, em especial família e escola. Juntos a possibilidade de encontrar caminhos que facilitem esta educação, é muito maior. Daí a importância de um evento como este em que estamos começando, onde pais, professores, diretores, funcionários, especialistas nas diversas áreas da educação têm um tempo e espaço, para troca de experiências, de idéias, não desvalorizando o trabalho um do outro, pelo, contrário, somando esforços para um melhor desempenho. Aqui estamos todos, esforçando  cada um para dar o melhor, no intuito de preparar nossos jovens para a grande escola, que é a vida. Recordemos o pensamento do talvez maior cientista do século XX, um grande humanista, Albert Einstein: “A vida é como... jogar uma bola na parede. Se for jogada uma bola verde, ela voltará verde; Se for jogada uma bola azul, ela voltará azul; Se a bola for jogada fraca, ela voltará fraca; Se a bola for jogada com força, ela voltará com força. Por isso, nunca jogue uma bola na vida, de forma que não esteja pronto para recebê-la. A vida não dá nem empresta; Não se comove nem se apieda. Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir...aquilo que nós lhe oferecemos”.

Declaramos aberto o Sétimo Congresso de Pais das Escolas Pestalozzi.




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